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sexta-feira, 15 de maio de 2026

A volta do higienismo


 Higienismo

Publicado no Jornal A TRIBUNA DE SANTOS EM 05/05/2026 - https://www.atribuna.com.br/opiniao/tribuna-do-leitor/tribuna-do-leitor-terca-feira-5-de-maio-de-2026-1.512569 

“Olha essa sujeira”, diz uma moradora ao filmar um homem dormindo sobre sua carroça.

A frase é direta. E revela mais sobre quem fala do que sobre quem é filmado.

O que aparece ali não é apenas incômodo com a cena, mas uma lógica: transformar o outro em problema a ser removido.

No discurso, a cobrança recai sobre o poder público, como se a função fosse limpar o que incomoda — não lidar com a complexidade do que está posto.

O homem deixa de ser sujeito.
Vira obstáculo. Vira “cheiro”, “sujeira”, algo fora do lugar.

O higienismo começa assim: não com políticas, mas com percepções.

Quando a humanidade do outro desaparece, qualquer solução parece aceitável — desde que devolva conforto a quem observa.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Somos obrigados a gostar de todas as pessoas?

 


GOSTAR DE TODOS

Publicado em A TRIBUNA DE SANTOS - COLUNA TRIBUNA DO LEITOR - https://www.atribuna.com.br/opiniao/tribuna-do-leitor/tribuna-do-leitor-quarta-feira-6-de-maio-2026-1.512703

06/05/2026

Somos obrigados a gostar de todos? Não. E nem eles são obrigadas a gostar de nós. O ser humano é social e se constrói na convivência, mas isso não significa afeição automática. Relação não se decreta; se constrói.

A base social é o respeito e, para que ele exista, primeiro necessita ser compreendido para que não confundamos o gostar com o respeitar, o viver com o conviver.

Existem vínculos difíceis, familiares complexos e afetos que não se desenvolvem. Forçar sentimentos gera culpa, hipocrisia e sofrimento silencioso. Ética não é sentir tudo, é agir com respeito apesar do que se sente.

Convivência saudável não exige amor obrigatório, mas limites claros, responsabilidade emocional e honestidade consigo mesmo.

Ricardo Murça — Santos