Dura realidade para o
trabalhador
Sindicatos se desmantelando e o patronal sambando sobre as
novas Leis Trabalhistas trazem uma dura realidade para o trabalhador.
Mas quem devemos culpar?
Alguns culpam o Governo, outros o sindicato outros a própria
categoria. Cada um culpa a quem interessa.
É fato de que o Governo atual é péssimo, em minha opinião.
Mas hoje minha opinião tange uma questão mais próxima, mais personalizada.
O trabalhador... E quando escrevo do trabalhador eu vou
colocar no balaio o trabalhador farmacêutico, com o qual tive contato por
muitos anos. Não posso aqui citar diretamente nomes, entidades e demais fatos.
Muitos sindicatos, baseados na lei trabalhista lá dos anos
50’s, prepararam suas camas e se deitaram. Grande parte dos trabalhadores, é
fato, tinham os sindicatos como a salvação, o protetor e por assim foi durante
muito tempo.
Questão de tempo até alguém perceber como fazer para viver
daquilo.
Bem, muitas categorias conseguiram consolidar um sindicato
forte, respeitado e operante, ainda que seus sindicatos tenham problemas nas
Diretorias, corrupção e desvio das funções ou até mesmo a inoperância.
Está errado? Sim, mas são entidades que, definitivamente,
não dependem do – obrigatório – para viver. Ou seja, mesmo que o imposto obrigatório
não seja mais obrigatório, seus associados – os trabalhadores – da categoria
enxergam que há vantagem em ser sindicalizado.
Mas e por que muitos sindicatos estão quebrando?
Por que não fizerem o dever de casa!
O dever de casa consiste em trabalhar, aglutinar sócios,
novas lideranças, atuar politicamente mas sem fisiologismos e filiações
partidárias diretas.
As Diretorias de Sindicatos que, após a nova legislação
trabalhista, fizeram comunicados culpando a categoria por não terem se
associado, na verdade jogaram uma pá de cal nas próprias costas.
Vale lembrar que, como eu escrevi no parágrafo anterior, os
culpados são os Diretores dos Sindicatos. Tanto os atuais quanto aqueles que se
arrastam por 50, 40, 30, 20 anos... Como culpar uma entidade? Isso não existe!
Reflitamos aqui juntos...
Se as Diretorias são eleitas pelo voto dos farmacêuticos,
então... ? Isso mesmo!
É neste lapso de pensamento que entra a responsabilidade da
categoria. E não adianta se furtar da responsabilidade meu amigo. Quando você
recebe um diploma, você recebe as responsabilidades de sua categoria, da sua
classe trabalhadora.
As entidades são responsabilidade de toda a categoria, sem dúvida alguma.
Então há um sindicato ruim na minha categoria (seja ela qual
for), corrupto (se for o caso), inoperante e que a Diretoria tem as minhas
contribuições como meio de vida... E o Autor deste texto ainda defende que eu
seja sindicalizado ou sócio? Tá de brincadeira!
Não, não estou de brincadeira. Parece paradoxal, mas não é!
Permita-me explicar uma coisa: Você só pode mudar uma
condição se você conhecer, atuar sobre ela e ajudar a decidir.
No caso de um sindicato, que nada mais é do que uma
associação, você precisa ser sócio para poder votar e ser votado. Isso mesmo!
Para poder votar em uma outra chapa ou mesmo montar uma chapa você precisa ser
sócio!
E ser sócio é só o primeiro passo, o básico. Certamente
existem muitas outras exigências... E como tem exigências...
Pulei uma linha para destacar algo importante.
Muitos sindicatos utilizaram o artifício da não associação
(ou angariar novos sócios), como defesa para evitar que novas pessoas montassem
novas chapas.
- Como assim? Isso é idiotice, não é mesmo?
Não, eu chamo de má-fé e incompetência.
Má fé ainda existe quando os estatutos são manipulados
juridicamente para permitir que – aposentados sejam Diretores de um sindicato
de trabalhadores ativos, empresários presidentes (ainda que existam situações
especiais como o profissional que é PJ e trabalhador ao mesmo tempo), pessoas
que mal trabalharam ou nem trabalham sejam Diretores.
Ao saberem de sua própria incompetência e de que terão que
trabalhar muito para se manterem em seus cargos, a não associação de novos
membros é requisito sine qua non para
evitar reclamações e novas chapas.
Expulsar, perseguir, torturar psicologicamente membros
atuantes, os reclamões e outros que criticam é também uma prática vista em
algumas instituições. As mesmas se disseram vitimas destas práticas no regime
militar.
Também vale o destaque em que digo: Nem todos os sindicatos são assim,
nem todos são iguais. Existem bons sindicatos e cada um que ataque pedra no seu
sindicato, OK?
Para isso, amigo trabalhador, seu primeiro passo é realmente
se tornar sócio do seu sindicato. Isso me dói por que vejo Diretorias que não
merecem – aquilo que o gato enterra... Mas é um mal necessário.
Porém, de nada adianta ser sócio sem atuar... Então atue,
cobre seu sindicato e se junte a grupos que estão buscando mudar a situação do
seu sindicato.
Esse é um primeiro texto e acho que temos mais algum
material para escrever mais alguns.
Antes, vamos ver qual a reação dos trabalhadores. O que este
texto vai fazer com a indignação pessoal de cada um? Quais serão as ações dos
trabalhadores que vão ler este meu texto?
Gostou, basta pedir mais que teremos mais assuntos a
abordar!
Um abraço.
Ricardo Murça

