segunda-feira, 8 de junho de 2026

Paralelo: quando a sociedade passa a premiar o improviso

 


Paralelo: quando a sociedade passa a premiar o improviso

Por Ricardo Murça

Introdução

No estudo do comportamento humano existe algo curioso: uma sociedade pode exigir cada vez mais certificações, normas e responsabilidades e, ao mesmo tempo, tolerar cada vez mais a informalidade do conhecimento.

Vivemos uma época em que pessoas estudam anos, seguem códigos éticos, assumem responsabilidades legais e se submetem a regras rigorosas. Mas, do lado de fora, cresce uma realidade paralela: indivíduos exercendo influência, ensinando, orientando e interferindo na vida de outros sem qualquer formação ou responsabilidade técnica.

A questão talvez não seja apenas profissional.

Talvez seja comportamental.

O que está por trás disso

Às vezes me pego pensando em como entramos em disputas desnecessárias movidas por empáfia, burocracia ou interesses corporativos.

Muitos profissionais enfrentam conflitos entre regulamentações, limites de atuação e disputas institucionais. E seguem as regras porque a ética profissional exige isso.

Enquanto isso, no cotidiano, o cenário parece diferente.

Há quem indique e produza medicamentos sem formação adequada.

Há quem “trate” sofrimento emocional através de fórmulas prontas e pseudociências.

Há quem ensine transição e sucesso sem conseguir fazer o mesmo com a própria vida

Há quem ensine finanças sem conseguir colocar ordem no próprio orçamento.

Há quem ensine relacionamentos sem conseguir sustentar os próprios.

Há quem ensine sucesso como produto de marketing.

E o problema não está em compartilhar experiências. Está em transformar experiência em autoridade técnica.

O exemplo do jornalismo

Uma discussão conhecida ocorreu no jornalismo.

Durante muitos anos, o diploma específico foi exigido para exercício profissional. Posteriormente, a exigência legal foi retirada.

O debate nunca foi simples. De um lado, liberdade profissional. Do outro, a preocupação sobre critérios mínimos de formação, responsabilidade e qualidade.

Porque uma pergunta permanece: se toda opinião pode ser emitida, toda opinião também deveria assumir automaticamente status de competência?

O erro mais comum

Talvez o erro da sociedade moderna seja confundir visibilidade com capacidade.

Número de seguidores não é conhecimento. Segurança ao falar não é competência. Convicção não é formação.

E autoridade social não é necessariamente autoridade técnica.

O problema começa quando a aparência de conhecimento passa a valer mais do que o próprio conhecimento.

Conheço pessoas que já fizeram mais cursos e possuem mais conhecimento de como falar, como se apresentar, o que vestir e como persuadir do que possuem conhecimento daquilo que vendem como verdade.

E, ainda pior: por trás da beleza, das lentes, da produção, do discurso, reside um grande caos.

O Instituto Ricardo Murça

Quando recebemos mentorandos no Instituto, quando produzimos textos, materiais e palestras, uma dúvida sempre paira na equipe que nos apoia: pagarmos ou não o preço pela verdade.

Temos um acordo de primar pela verdade, independente do custo que isso nos cause.

Seguimos no campo que muitas vezes é árido, seco e difícil de jogar, mas sabemos que é o correto a ser feito. Buscamos uma sociedade ética, preparamos pessoas éticas e ajudamos pessoas a resolverem seus problemas pessoais e profissionais com ética.

Até mesmo nossas palestras precisam passar por uma revisão para que se tornem mais palatáveis, mais audíveis e menos cruas. Quem conhece o criador do Instituto - Ricardo Murça, sabe de sua predileção por ser direto

Conclusão

Parece que criamos uma sociedade paralela.

Uma que exige rigor extremo de quem aceita regras e responsabilidades, mas que frequentemente tolera improviso em quem fala alto, aparece muito ou vende respostas fáceis.

E quando isso acontece surge uma escolha desconfortável:

Participar do jogo ou pagar o preço por continuar jogando pelas regras.


Esse é o tipo de reflexão que orienta o trabalho do Instituto Ricardo Murça, com foco em desenvolvimento humano baseado em psicologia, comportamento e vida real.



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Subjetividade: por que duas pessoas enxergam a mesma realidade de formas diferentes?

 


Subjetividade: por que duas pessoas enxergam a mesma realidade de formas diferentes?

Por Ricardo Murça

Introdução

No estudo do comportamento humano, das emoções e do desenvolvimento pessoal, existe uma palavra muito utilizada e, ao mesmo tempo, pouco compreendida: subjetividade.

Na vida real, ela aparece em conversas simples:

"Isso é subjetivo."
"Essa é apenas sua opinião."
"Cada um vê de um jeito."

Geralmente usamos essas frases corretamente, mas nem sempre entendemos o que existe por trás delas.

E compreender isso ajuda não apenas a entender o outro, mas também a entender a nós mesmos.

O que está por trás disso

Subjetividade, de forma simples, é a maneira como cada ser humano interpreta, percebe e experimenta o mundo.

Ela não nasce pronta.

Vai sendo construída desde o início da vida, através das relações, experiências, cultura, família, ambiente e até fatores biológicos.

Cada pessoa atravessa histórias diferentes.

Cada uma recebe estímulos diferentes.

Cada uma aprende a organizar a realidade de maneira própria.

Por isso, duas pessoas podem observar exatamente a mesma situação e sair dela com interpretações completamente distintas.

Não porque uma esteja necessariamente certa e a outra errada.

Mas porque ambas chegaram ali carregando histórias diferentes.

O erro mais comum

O erro mais comum é imaginar que todos observam o mundo da mesma forma que nós.

Quando alguém discorda, frequentemente pensamos:

"Ele não entendeu."
"Ela está exagerando."
"Isso não faz sentido."

Mas muitas vezes não existe falta de entendimento.

Existe apenas uma experiência diferente organizando a percepção.

Isso não significa que toda opinião tenha o mesmo peso ou que fatos deixem de existir.

Significa apenas reconhecer que nossa percepção nunca é completamente neutra.


O que fazer na prática

Compreender a subjetividade não significa abandonar critérios ou relativizar tudo.

Significa desenvolver curiosidade.

Perguntar antes de concluir.

Escutar antes de julgar.

E aceitar que outras pessoas carregam histórias que desconhecemos.

Isso não elimina conflitos, mas amplia compreensão.

Conclusão

Talvez as pessoas nem sempre discordem dos fatos.

Muitas vezes apenas observam a mesma realidade por janelas diferentes.

E talvez uma das maiores dificuldades humanas não seja aceitar que somos diferentes.

Seja aceitar que o outro também enxerga o mundo a partir da própria história.

Porque, no fim, é justamente essa subjetividade que nos torna humanos.



Esse é o tipo de reflexão que orienta o trabalho do Instituto Ricardo Murça, com foco em desenvolvimento humano baseado em psicologia, comportamento e vida real.