segunda-feira, 18 de maio de 2026

Bicicletários em Santos: mobilidade urbana, comportamento e a contradição da cidade

 


Bicicletários em Santos: mobilidade urbana, comportamento e a contradição da cidade

Por Ricardo Murça

Introdução

Quando falamos de comportamento humano, desenvolvimento pessoal e decisões na vida real, raramente pensamos em mobilidade urbana como parte disso.

Mas deveríamos.

A forma como uma cidade organiza seus transportes influencia diretamente escolhas, rotina, saúde e até bem-estar emocional.

E, em Santos, existe uma contradição evidente: a bicicleta é viável — mas não é tratada como prioridade.

O que está por trás disso

Depois de quatro anos de reabilitação, voltei a andar de bicicleta.

A experiência deveria ser simples, especialmente em uma cidade plana, costeira e com tradição no uso desse meio de transporte.

Mas o problema não está no trajeto.
Está no destino.

Onde estacionar com segurança?

A resposta, na maioria das vezes, não existe.

Faltam bicicletários. E o que se vê são bicicletas presas em postes, árvores, grades — soluções improvisadas que evidenciam a ausência de planejamento.

Mais grave: novos empreendimentos e até espaços públicos ignoram essa necessidade básica.

Isso não é detalhe.
É escolha de modelo de cidade.

O erro mais comum

O erro está em tratar a bicicleta como alternativa.

Ela não é.

Em cidades como Santos, a bicicleta é um dos meios mais eficientes de deslocamento: barata, não poluente, acessível e saudável.

Ainda assim, o planejamento urbano insiste em priorizar o carro — um meio mais caro, mais poluente e menos eficiente para curtas distâncias.

O resultado é previsível: discurso de sustentabilidade de um lado, ausência de estrutura do outro.

E, no meio disso, o cidadão que tenta fazer diferente encontra dificuldade.

O que fazer na prática

A solução não é complexa — é estrutural.

Todo prédio, público ou privado, deveria contar com bicicletários.
Todo novo empreendimento deveria incorporar essa demanda desde o projeto.

Isso pode ser gratuito, pago ou autogerido.
O formato é discutível. A necessidade, não.

Mais do que isso: é preciso reconhecer a bicicleta como parte do sistema de mobilidade, não como exceção.

Quando a estrutura existe, o comportamento acompanha.

Sem estrutura, a mudança não se sustenta.

Conclusão

Santos tem tudo para ser uma cidade referência no uso da bicicleta.

Mas isso exige coerência.

Não basta ter ciclovia.
É preciso garantir o ciclo completo: deslocamento, parada e segurança.

Se queremos menos trânsito, menos poluição e mais qualidade de vida, a escolha é clara.

Talvez esteja na hora de inverter a lógica:

A bicicleta não é alternativa.
Alternativo é insistir no modelo atual.


Esse é o tipo de reflexão que orienta o trabalho do Instituto Ricardo Murça, com foco em desenvolvimento humano baseado em psicologia, comportamento e vida real.


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