Recebi recentemente um texto pelo WhatsApp, sem autoria clara, mas que me fez pensar.
Ele traz uma história atribuída a Arthur Ashe, lendário campeão de Wimbledon, que enfrentou uma doença grave no fim da vida.
Em meio a mensagens de fãs, alguém teria perguntado:
“Por que Deus escolheu você para passar por isso?”
E a resposta atribuída a ele é simples — e incômoda:
quando estava no auge, vencendo, sendo reconhecido, ele nunca perguntou “por que eu?”.
Então, por que faria isso agora, diante da dor?
O ponto que realmente importa
Independentemente da precisão histórica da história, a reflexão é válida.
Nós tendemos a questionar a vida quando algo dá errado.
Mas raramente questionamos quando tudo dá certo.
Aceitamos o sucesso como merecido.
E o sofrimento como injusto.
A assimetria da nossa percepção
Isso revela algo importante:
não lidamos com a vida de forma equilibrada.
Queremos controle quando perdemos.
Mas naturalizamos quando ganhamos.
E isso cria uma expectativa silenciosa de que a vida deveria seguir um padrão de conforto contínuo — o que, na prática, não existe.
A comparação que nunca se resolve
O texto também traz uma imagem interessante:
alguém no campo olha para um avião e sonha em voar.
o piloto olha para baixo e sonha em voltar para casa.
Essa dinâmica é constante.
Sempre existe alguém olhando para a sua vida e desejando estar no seu lugar — ao mesmo tempo em que você olha para outra realidade e pensa que poderia estar melhor.
O problema não é a vida — é o referencial
Quando tudo é comparado, nada parece suficiente.
Quando tudo é esperado, nada é valorizado.
E, aos poucos, a pessoa perde a capacidade de perceber o que já tem — e passa a viver em função do que falta.
O que essa reflexão provoca
Não é uma mensagem de conformismo.
Não é sobre aceitar tudo passivamente.
É sobre reconhecer que:
— nem tudo é controle
— nem tudo é injustiça
— nem tudo é merecimento
E que a forma como interpretamos os acontecimentos influencia diretamente como vivemos.
Conclusão
Talvez a pergunta não seja:
“por que isso está acontecendo comigo?”
Mas algo mais simples — e mais difícil:
“como eu vou lidar com isso?”
Porque, no fim, não é o que acontece que define a vida.
É a forma como cada um responde ao que acontece.

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