sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Quando a vida dá certo, ninguém pergunta “por quê?”

Recebi recentemente um texto pelo WhatsApp, sem autoria clara, mas que me fez pensar.

Ele traz uma história atribuída a Arthur Ashe, lendário campeão de Wimbledon, que enfrentou uma doença grave no fim da vida.

Em meio a mensagens de fãs, alguém teria perguntado:

“Por que Deus escolheu você para passar por isso?”

E a resposta atribuída a ele é simples — e incômoda:

quando estava no auge, vencendo, sendo reconhecido, ele nunca perguntou “por que eu?”.

Então, por que faria isso agora, diante da dor?

O ponto que realmente importa

Independentemente da precisão histórica da história, a reflexão é válida.

Nós tendemos a questionar a vida quando algo dá errado.

Mas raramente questionamos quando tudo dá certo.

Aceitamos o sucesso como merecido.

E o sofrimento como injusto.

A assimetria da nossa percepção

Isso revela algo importante:

não lidamos com a vida de forma equilibrada.

Queremos controle quando perdemos.

Mas naturalizamos quando ganhamos.

E isso cria uma expectativa silenciosa de que a vida deveria seguir um padrão de conforto contínuo — o que, na prática, não existe.

A comparação que nunca se resolve

O texto também traz uma imagem interessante:

alguém no campo olha para um avião e sonha em voar.
o piloto olha para baixo e sonha em voltar para casa.

Essa dinâmica é constante.

Sempre existe alguém olhando para a sua vida e desejando estar no seu lugar — ao mesmo tempo em que você olha para outra realidade e pensa que poderia estar melhor.

O problema não é a vida — é o referencial

Quando tudo é comparado, nada parece suficiente.

Quando tudo é esperado, nada é valorizado.

E, aos poucos, a pessoa perde a capacidade de perceber o que já tem — e passa a viver em função do que falta.

O que essa reflexão provoca

Não é uma mensagem de conformismo.

Não é sobre aceitar tudo passivamente.

É sobre reconhecer que:

— nem tudo é controle
— nem tudo é injustiça
— nem tudo é merecimento

E que a forma como interpretamos os acontecimentos influencia diretamente como vivemos.

Conclusão

Talvez a pergunta não seja:

“por que isso está acontecendo comigo?”

Mas algo mais simples — e mais difícil:

“como eu vou lidar com isso?”

Porque, no fim, não é o que acontece que define a vida.

É a forma como cada um responde ao que acontece.

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