segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Proibição da venda de anorexígenos: Decisão técnica pode ter viés político

Há anos farmacêuticos e médicos correm, juntos, em busca de uma solução para a diminuição ou proibição da venda e uso indiscriminado dos anorexígenos, conhecidos como inibidores de apetite.
São várias as marcas, laboratórios e indústrias que atuam no mercado brasileiro e que, anualmente, faturam milhões, senão bilhões, com estes medicamentos.
Analisando a proposta da Anvisa, o histórico de lutas, o histórico de outros países, os benefícios e malefícios que estes medicamentos trazem à população usuária minha opinião é simples: Os anorexígenos estão no mercado para gerar mais prescrições médicas, mais consultas médicas, mais ganhos para a indústria farmacêutica, mais usuários viciados e dependentes e menos saúde. É uma questão simples de se analisar, mas que será difícil por esbarrar em simples interesses econômicos, ou seja, os anorexígenos dão muita grana!
Retornando à análise técnica, acredito ser louvável, inteligente e corajosa a proposta do Dr. Dirceu Barbano, Diretor Presidente interino da Anvisa, de retirar e proibir estes produtos no mercado nacional.
Temos o direito e a soberania de proibir, nos moldes de países desenvolvidos, e que buscam ofertar saúde de qualidade à população, o uso de produtos que somente sobrevivem por representarem interesses puramente econômicos.
Por outro lado, percebo, no íntimo do movimento político da saúde, a movimentação de forças que, se não armaram esta - arapuca - política para desgastar o atual Presidente da Anvisa, no mínimo traíram seus valores e crenças que, falsamente, os colocaram no poder.
Dirceu Barbano é um profissional técnico e político da maior competência e conhecimento na área de medicamentos, construiu sua carreira como representante da categoria farmacêutica com valores nobres e política social que acredita em um Sistema de Saúde honesto e efetivo, de profissionais que devem proteger, com base em conhecimentos técnicos, a saúde da população.
No entanto, o nosso nobre colega, parece o - macaquinho do jogo quebra gelo - que está sobre uma plataforma de peças frágeis, volúveis e que se mantém segundo a "temperatura" da política, do partido.

A história de Dirceu Barbano advém do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo que sempre foi a sua base de apoio, sempre o apoiou e foi construído conforme seus valores.
No entanto, principalmente nos últimos anos, Dirceu mostrou-se mais capaz do que os interesses entendem como viável. É a cabeça certa para comandar uma Agência que recebeu duros golpes em sua identidade nestes 8 anos que se passaram, uma agência que não conseguiu acompanhar o desenvolvimento tecnológico, que primou pela organização política e atuação voltada para interesses.

Percebo, em meu humilde entendimento, que uma decisão técnica de suma importância está sendo influenciada por interesses pequenos, políticos, financeiros e que visam acabar de vez com a saúde da população.

Surpreso fiquei com o posicionamento dos Conselhos de Farmácia e, de certa forma, com o posicionamento de uma corrente da categoria médica.

Não posso julgar o posicionamento de um usuário, da população, pois sabemos que são vítimas da empurroterapia da indústria farmacêutica nacional. Mas posso me sentir ofendido pelo posicionamento de órgãos que visam proteger a saúde e simplesmente protegem seus próprios interesses.

Quem será o próximo Presidente da Anvisa?
Quem serão os próximos Presidentes dos Conselhos Regionais?
Qual partido está por trás disso tudo?
Quem está rifando a saúde da população?

A resposta está no seu voto, em sua consciência e na sua atuação ou omissão enquanto cidadão e profissional.

Grande abraço a todos

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